O Primeiro Bolinho do Ano!

Curto era o período disponível para minhas semiférias e longa era a lista de coisas que pretendia comer e/ou cozinhar entre o Natal e o Ano Novo. Não estive nem perto de completar a lista, entretanto logrei meu intento de bater uns bolinhos.

Foram ao todo três, executados ora como espectadora-assistente, ora como batedeira-ouvinte, sempre na companhia de outras mulheres da família, o que acrescenta uma dose extra de amor e aquele sabor de histórias (re)contadas.

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Tenho uma prima quatro meses mais nova com quem estudei dos oito aos dezessete anos, sempre na mesma sala e a poucas carteiras de distância. Ela diz que não gosta de cozinhar, mas seus bolos estão entre os mais concorridos da família. Agarrou-lhe uma vontade de bater bolinho no primeiro dia do ano, numa casa de praia não muito equipada.

Ela precisava muito fazer uma receita daquelas que são iniciadas pela mistura de manteiga-açúcar-gemas e que deve ser batida até virar um creme fofo, mas não havia sinal de batedeira por perto. Corri para acudi-la empunhando batedor de claras e colher de pau. Resolvemos fazer assim mesmo, na mão.

Ela separou os ingredientes e ia me falando a receita (que tenho anotada há anos, mas não sei de cor) enquanto eu punha para trabalhar as pelancas do adeus, batendo com vigor e atenção.

Falamos de coisas leves e ao mesmo tempo profundas, de decisões de vida, de vó-mãe-filho. Não me lembro de termos dito que “precisamos nos ver mais”, nem de termos engatado uma sessão nostalgia, relembrando aventuras, risadas, namoricos, festas e professores da época de colégio. Poderíamos – e teria sido muito bom também – mas conversamos diferente.

A admiração mútua e sincera, temperada pela convivência naqueles anos tão determinantes para as personalidades das duas, faz com que o laço permaneça intacto apesar do tempo e da lonjura.

É muito provável que o Leitor e a Leitora também tenham, em suas relações, algumas pessoas com quem os encontros sejam assim desse jeito que não sei bem descrever.

Fato é que o bolo ficou delicioso malgrado não termos à mão o equipamento adequado. O creme não ficou muito fofo, alguns gruminhos ficaram sem dissolver na massa crua, as claras esmoreceram um pouco.

Nada disso foi capaz de estragar a mágica do encontro e da conversa, que provavelmente foi o ingrediente determinante para o sucesso da empreitada.

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Não tenho registro de fotos, mas deixo aqui a receita tal e qual está escrita em meu caderno:

Formiguinha

Ingredientes:

  • 5 ovos
  • 200 g. de margarina
  • 2 xícaras de açúcar
  • 1 xícara de leite
  • 3 xícaras de trigo
  • 100 g. de coco ralado
  • 100 g. de chocolate granulado
  • 1 colher de sopa de fermento

Como fazer:

  1. Misture as gemas, o açúcar e a margarina e bata até formar um creme claro e fofo.
  2. Acrescente o trigo e o leite alternadamente e mexa bem.
  3. Acrescente o coco ralado e o chocolate granulado e misture.
  4. Incorpore as claras batidas em neve e, por último, acrescente o fermento e misture. Leve ao forno médio em tabuleiro untado e enfarinhado.
  5. Após assado, cubra o bolo com a calda de chocolate de sua preferência.


6 comentários em “O Primeiro Bolinho do Ano!

  1. Isabella

    Dadi, esse bolo com chocolate e côco (formigueiro, não é?) é muito gostoso!). O interessante é que você pode fazer com esses ingredientes, o bolo Frapê (basta tirar um ovo da receita e substituir o chocolate granulado pelo chocolate em pó – pouco mais de 1/2 xic – , que será misturado à metade da massa; à outra metade junta-se o côco). Com as duas massas (branca e marrom faz-se um efeito marmorizado). Um abraço.

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  2. valentina

    Dadi querida, realmente ocasiões como estas são muito especiais. quando estive em casa agora no fim de dezembro muitas vezes na cozinha conversavamos de tantas coisas passadas, interessantes..histórias muitas vezes esquecidas..E este bolinho..é um dos meus favoritos.as formiguinhas me enlouquecem.beijocas

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  3. Vitor Hugo

    “as pelancas do adeus” – sim, para variar um pouco rachei o bico de ri disso! uehueheuheuehueh

    Bolo formigueiro, de vez em sempre minha mãe inveja de fazê-lo, heheheh.

    Responder

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