“Só a areia pra mim, mãe!”

Um dia falo mais sobre as modas culinárias de maman. Tivemos verdadeiras eras dedicadas a frango com catupiry, língua ensopada com ervilhas, camarão na moranga, batata-palha, patês, bolos invertidos, lasanhas, chuchu-cheio…o engraçado é que muitas dessas coisas ela simplesmente cansou de fazer, enjoou, desgostou. Mas alguns preparados resistem aos caprichos novidadeiros e atingem a condição de “comida-ícone-da-ruth”.

O “Repolho com Areia” é uma dessas. E ontem, num arroubo de saudade e nostalgia, resolvi reproduzir a receita em casa. Ficou igual, igualzinho, sem tirar nem pôr.

Mas antes que pensem que minha progenitora saiu de um livro do Garcia Márquez e nos alimentava com terra, deixem-me explicar do que se trata a iguaria: corta-se um pedaço de repolho (metade, 1/4, depende da quantidade e apetite dos comensais), coloca-se a cozinhar em caldo de carne ou galinha (nesse pode usar o industrializado que não vai ficar ruim) e quando estiver tenro deita-se sobre uma travessa repleta de uma farofa crocante e delicada que chamamos carinhosamente de…

…Areia!
Ingredientes (para 2 xícaras, mais ou menos):
2 pães velhos (velhos mesmo, já durinhos)
2 boas colheres de sopa de manteiga
sal a gosto

Como fazer:
O pão precisa virar uma farinha grossa, então rale no ralador ou passe no processador. Gosto mais do ralador porque ele deixa uns pedacinhos mais crocantes. Se não tiver pão velho, pode dar uma leve secada no forno antes de empregar. Se quiser, pode usar farinha de rosca pronta, mas não posso me responsabilizar se não ficar igual ao da mãe, tá?
Derreta a manteiga numa frigideira mais fundinha. Não deixe queimar, mantenha em fogo brando só até espumar.
Adicione a farinha de pão e mexa, remexa, revolva, misture, saracoteie, vire e revire até começar a dourar. Essa proporção de manteiga é perfeita pra deixar a farofa ao mesmo tempo úmida e crocante.
Corrija o sal e sirva.

Você pode colocar essa areinha ao redor do repolho cozido (e muuuito bem escorrido) ou couve-flor, usá-la para polvilhar uma massa, ou guarnecer qualquer outro prato de sua preferência. Babi, Ju e Mano só comiam pura :)



11 comentários em ““Só a areia pra mim, mãe!”

  1. Dadivosa

    Valentina, acho que você vai gostar.A Ju (ou Yuli), a Babi e o Mano são meus irmãos sim. E agora ainda tem a Dinah, nossa princesinha-caçula que já vai fazer 11 anos. Na época que surgiu a areia ela ainda nem pensava em nascer :)

    Fer, fiquei sem palavras… ;***

    Karen, que bom que você conseguiu sentir o aconchego da receita… essa é a idéia ;)

    Responder
  2. Yuli (Ju - a irmã)

    “- Queres repolho??
    – Não, só a areia mãe!!”

    A areia é uma das receitas clássicas de maman!
    Quando ela ia servir a mesa dizíamos: “Obaaaaa AREIA”
    Eu gostava de colocar areia por cima do macarrão… hum que delícia!!

    o Dadivosa está despertando em mim (uma nada iniciada no ramo culinário-gastronômico) uma imensa vontade de vestir o avental e ir pra cozinha :)

    Responder
  3. Raul

    Que coisa boa! Uma bela história e uma comida que parece sair de um livro de Ruan Rulfo.

    Sabe, gosto de macarrão com farofa. Isso também acho que é realismo fantástico. ha ha ha.

    Bjão.
    Raul

    Responder
  4. Dadivosa

    Yuli, deixe de falsa modéstia! Seus quitutes são deliciosos e também me inspiram muito. Fiz o seu brigadeiro de novo e foi um sucesso!

    Raul, você me deu uma boa idéia, de misturar receitas com realismo fantástico! :)

    Aline, não faz mal que você não curte repolho. Ele não está mesmo entre as dez hortaliças mais desejadas da humanidade… mas vale a pena tentar essa areia. O bom é que ela é muito versátil você pode usar como acompanhamento do que sua imaginação mandar.

    Gorete, depois me conta como ficou?

    ;***

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *




Arquivos

Newsletter

Assine para receber no seu e-mail