Pudim de Café

February 5th, 2010

Era assinante e está em São Paulo a derradeira edição da Gourmet. A equipe não sabia que a revista ia fechar, então dá aquela sensação de “normalidade” pré hecatombe. Como sempre, tem matérias bem feitas e receitas que, pelo menos comigo, sempre dão certo. Essa aqui, que se chamava Café au Lait Pudding no original, teve suprimidos o açúcar do creme (não precisava nem um pouco) e o extrato de baunilha (muita coisa ali, já) e incluído um toque de chocolate em pó (só pra fazer uma graça). Read the rest of this entry »

Sopa fria de tomates com…

February 2nd, 2010

…melancia!

Essa vai para o Leitor e a Leitora queridos que vivem dias de caloredo. Testei a receita uns dias antes de voltar à lida e ao frio, volta essa que, com o rebuliço em que se encontrava a vida lá fora e o coração que andava apertado aqui dentro, não me sobravam tempo nem ganas para passar por aqui. Mas Dadivosa saiu da clausura e veio aqui contar pra vocês dessa sopa boa, facilíssima, refrescante e que me fez ficar por diiias com Jorge Benjor na cabeça.

Porque poderia muito bem batizar essa receita com vodca e beber feito um bloody mary tropical. Alcohol! Só para desinfetar :)

Desinfetar e desejar a todos um doismiledez bem feliz!

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Da Falibilidade que levo dentro

November 27th, 2009
Ando às voltas com essa que tem os braços dados com a Impermanência e me faz lembrar que tudo o que é perfeito e arranjado demais, simétrico e combinando demais, planejado e previsível demais, limpo e plástico demais pode até ter seu valor, mas em dois segundos podem me enfadar tremendamente.
Ela ronda minha cozinha e dá as caras na lasca de bolo que se agarrou à forma e não quer sair, no pão que amorenou dum lado só, no arroz que não temperei, na receita que não vingou mas me divertiu, naquele naco amassado da pera suculenta.
Faz aparição também nesse blog, na foto em que eu, emocionada, errei a mão e saiu desfocada, naquela outra que consegui focar e enquadrei mal e ainda assim gosto por causa do que nela está. Nas histórias contadas de sopetão, nos dias e semanas sem escrever, no visual que nunca chego a consertar, nas receitas mais ou menos, nos ditos meio-ditos.
Ao perceber o encanto da falibilidade dos outros, das músicas cantadas e sentidas intensamente em que a voz ou as notas se perdem, nas pessoas que deslizam e voltam atrás, nas que pedem desculpas, nas que se notam matizes diferentes e muitas vezes anacrônicos, na louça nicada do restaurante, me dou conta da minha própria.
E me olho no espelho, percebo minhas assimetrias e pintas e cicatrizes. E olho pra cá e vejo a irregularidade de frequencia, qualidade e sentimento dos posts e fotos. E olho pra dentro e ali está ela, nos meus pensamentos, atitudes, sentimentos, tropeços reais e mentais, pequenos acidentes que às vezes descosturam vestidos ou abrem um buraquinho na alma.
É nesse instante percebo que se ando às voltas com ela, que consciente ou inconscientemente a busco no que vejo, ouço, cozinho, como e sinto, e se ela vive tão intensamente dentro de mim, então é porque assim é que tem de ser. E então é chegada a hora de eu olhar bem nos olhos dela e pedir que, uma vez que já mora aqui dentro, que se sinta à vontade e alegre meus dias com suas pequenas estripulias de comidas que não saem bem na foto mas são gostosas demais, com a surpresa do desafino e descompasso da música linda, com os textos que não são nenhuma obra-prima mas que transmitem sentimento para uma meia-dúzia de pessoas queridas, com os tropeços reais e mentais que de mim fazem parte.
Só não se empolgue, por favor, Dona Falibilidade, pois não vejo nenhum encanto em quebrar um copo antes de sair de casa, perder o salto do sapato e levar aquele estabaco com bolsa, mochila, casaco, cachecol e celular a 5 metros de entrar na reunião.

Ando às voltas com essa que tem os braços dados com a Impermanência e me faz lembrar que tudo o que é perfeito e arranjado demais, simétrico e combinando demais, planejado e previsível demais, limpo e plástico demais pode até ter seu valor, mas em dois segundos me enfada tremendamente.

Ela ronda minha cozinha e dá as caras na lasca de bolo que se agarrou à forma e não quer sair, no pão que amorenou dum lado só, no arroz que não temperei, na receita que não vingou mas me divertiu, naquele naco amassado da pera suculenta.

Faz aparição constante também nesse blog, na foto em que eu, emocionada, errei a mão e saiu desfocada, naquela outra que consegui focar e enquadrei mal e ainda assim gosto por causa do que nela está, nas histórias contadas de sopetão, longas ou curtas demais, nos dias e semanas sem escrever, no visual que nunca chego a consertar, nas receitas mais ou menos, nos ditos meio ditos.

Ao perceber o encanto da falibilidade dos outros, das músicas em que a voz ou as notas se perdem por um segundo, nas pessoas que deslizam e voltam atrás, nas que pedem desculpas, nas que se notam matizes diferentes e muitas vezes anacrônicos, na louça nicada do restaurante, me dou conta da minha própria.

E me olho no espelho, percebo minhas assimetrias e pintas e cicatrizes e dentes. E olho pra cá e vejo a irregularidade de frequencia, qualidade e sentimento dos posts e fotos. E olho pra dentro e ali está ela, nos meus pensamentos, atitudes, sentimentos, tropeços reais e mentais, pequenos acidentes que às vezes descosturam vestidos no meio da tarde ou abrem um rasguinho na alma.

Nesse instante percebo que se ando às voltas com ela, que se consciente ou inconscientemente a busco no que vejo, ouço, cozinho, como e sinto, que se ela vive tão intensamente dentro de mim, então é porque assim é. E se é assim chega a hora de eu olhar bem nos olhos dela e pedir que, uma vez que já mora aqui dentro, que se sinta à vontade e alegre meus dias com suas pequenas estripulias de comidas que não saem bem na foto mas são gostosas demais, com a surpresa do desafino e descompasso da música linda, com os textos que não são nenhuma obra-prima mas que transmitem sentimento para uma meia-dúzia de pessoas queridas, com os tropeços reais e mentais que de mim fazem parte.

Só não se empolgue, por favor, Dona Falibilidade, pois não vejo nenhum encanto em quebrar um copo antes de sair de casa, perder o salto do sapato, em seguida levar aquele estabaco e cair de quatro com bolsa, mochila, casaco, cachecol e celular a 5 metros de entrar na reunião.

Purê de Batata com Wasabi

November 24th, 2009

É daquelas que nem bem receitas são, valem mais como dica. Mas já fiz tantas vezes e acho tão gostoso que quis compartilhar.

As quantidades vão depender do número e da fome dos comensais, fique à vontade para acrescentar e diminuir de acordo com seu gosto e vontade.

Ingredientes (para uma porção):

  • 3 batatas pequenas
  • sal
  • 1 colher de chá de manteiga (usei com sal)
  • 1/2 colher de chá de pasta de wasabi (ou a gosto)

Como fazer:

  1. Descasque e pique as batatas e leve-as a cozinhar em água e sal.
  2. Escorra e esprema as batatas (pode juntar uma colher de sopa da água do cozimento, ou leite, ou creme de leite), incorpore a manteiga, misture o wasabi, prove (coloque um tiquinho a mais de wasabi, se quiser, mas pegue leve) e sirva. Minha combinação preferida é com salmão grelhado (mal passado no meio) e um salpico de pimenta-do-reino moída na hora e gergelim tostado.

A Omelete Infalível da Julia Child

November 23rd, 2009

Porque esses dias eu vi o filme, porque ontem comprei ovos muito frescos, porque tinha trabalho a fazer e não podia ficar de saliência na cozinha e porque me deu muita vontade, resolvi testar a técnica da Julia Child para fazer omeletes como explica esse vídeo aqui:

A receita para um(a):

Ingredientes:

  • 2 ovos frescos em temperatura ambiente (melhor se forem caipiras)
  • 1 colher de sopa de água
  • 1 colher de chá de manteiga
  • sal e pimenta-do-reino moída na hora

Como fazer:

  1. Aqueça uma frigideira antiaderente e deite ali a manteiga para derreter.
  2. Enquanto isso, quebre os ovos, bata bem com o garfo, misture com a água.
  3. Despeje a mistura de ovos na frigideira pelando e vá fazendo esse vai-e-vem aí do vídeo (pra mim demorou um bocadinho mais, que meu fogão é tinhoso).
  4. Polvilhe pimenta e sal, dê a voltinha na omelete, despeje no prato, mais uma pitada de sal e pimenta e sirva. Fica bom polvilhado com páprica, com ervinhas frescas ou secas, untado com um pouco mais de manteiga… é uma receita coringa, uma base deliciosamente simples sobre a qual brincar. A minha foi ainda mais simples, porque era desse jeito que queria minha vontade.

O que jantei agora mesmo

November 21st, 2009

Uma fatia de pão tostado, uma colher de sopa de atum em azeite, tiras de pimentão vermelho assado e sem pele, sal, pimenta e salsinha. E uma tacinha de vinho, por supuesto :)

O Monge, o Lusco e o Fusco

November 19th, 2009

Não bastasse a temporada de folhas amarelo-alaranjadas pelas ruas, mixiricas, peras e cogumelos infinitos nos mercados, chegou à minha caixa postal num dia de muito trabalho um pacotinho que me emocionou deveras neste outono madrilenho.

A história remonta à primavera, quando a Debora, mãe de Sathya, me alegrou o coração ao contar que o moço havia libertado sua Dadivosa interior e estava cozinhando para seus colegas monges algumas das receitas que lia por aqui.

O primeiro que vi foi uma foto, linda, desses rapazes vestidos de laranja-mixirica, de sorriso largo e olhos queridos. Depois veio a carta, escrita de próprio punho, verdadeira raridade não só por ser manuscrita e cair numa caixa postal onde habitam folhetos de entrega de comida, publicidade de persianas elétricas, propostas de planos odontológicos, contas telefônicas e extratos bancários.  O mais raro e precioso era o imenso amor que emanava dali. Dizia o Monge Sathya que todos estavam muito agradecidos, “de barriga quentinha“.

Duas páginas caprichadas que me fizeram enrubescer as bochechas e espremer lágrimas contentes. Quis dar um abraço forte e um beijo esmagado em cada um deles, por terem derretido em amor qualquer vestígio de dureza que ainda restasse daquele dia. E fiquei um bom tempo com aquela carta e aquela foto na mão. Melhor dizendo, fiquei um bom tempo ganhando colo daquela carta e daquela foto. Tanto que me distraí e só bem depois vi que havia um folheto e um livro de receitas vegetarianas indianas, cuja autora contava no prefácio que tinha por objetivo compartilhar as comidas de sua família. Um mimo inestimável, um tesouro.

E ontem, enquanto comia uma pera porque não tinha ganas de cozinhar, pouco depois de contar à família um pouco dos meus dias, das folhas das árvores e do clima que faz por essas bandas, de falar pela trocentésima vez da saudade e da vontade de apertar todo mundo, recebo outra dose cavalar e necessária de lucidez e amor em forma de palavras. “Gosto de ver que estás conciliando o árduo trabalho com o lusco-fusco da paisagem de outono”, disse meu pai, o Babbo, por e-mail.

Foi então que liguei lé com cré e percebi que do livro presenteado pelos monges sairá a inspiração para uma comidinha reconfortante que me fará sacudir a poeira das panelas e me transportar para a simplicidade e beleza das coisas, para esse relaxante lusco-fusco da consciência, tal como acontece quando falo com meus amores, vejo as mixiricas, as peras, os cogumelos e as folhas que mudam de cor.

Da cachaça pro vinho…

November 18th, 2009

… é o nome do blog do Edu, que no dia do apagão preparou um menu de tapas e pintxos palpitado por mim, menu esse que não levou cachaça, mas teve uma vodquinha aqui e um vinhozinho acolá.

Espiem só a destreza, o capricho e o bom humor desses destemidos aqui.

Obrigada, DCPV, foi muito divertido participar!

;***

Salmorejo de Zanahoria con Manzana

November 16th, 2009

Foram-se os dias calorentos, ficou mais essa sopinha fria para publicar. Periga ser mais fácil de fazer do que pronunciar o nome, espia:

Ingredientes

Ingredient
4 tomates médios em cubos
2 cenouras em rodelas finas
1 dentinho de alho
1 maçã vermelha pequena
1/2 xícara de azeite de oliva
2 colheres de sopa de vinagre de jerez
sal e cominho em pó a gosto
ovo cozido para ornar


Como fazer:
1. Leve os tomates ao copo do liquidificador e bata bem. Incorpore as cenouras aos poucos e vá liquidificando.
2. Pele e pique a maçã e bata também. Quando estiver tudo homogêneo, junte o alho e bata mais um pouco.
3. Sem parar de bater, junte o azeite de oliva, o vinagre, o sal e o cominho.
4. Coe e sirva com o ovo cozido picado e mais um chorinho de azeite.Ingredientes
  • 4 tomates médios em cubos
  • 2 cenouras em rodelas finas
  • 1 dentinho de alho
  • 1 maçã vermelha pequena
  • 1/2 xícara de azeite de oliva
  • 2 colheres de sopa de vinagre de jerez
  • sal a gosto
  • cominho a gosto (esqueci de colocar)
  • ovo cozido para ornar

Como fazer:

  1. Leve os tomates ao copo do liquidificador e bata bem. Incorpore as cenouras aos poucos e vá liquidificando.
  2. Pele e pique a maçã e bata também. Quando estiver tudo homogêneo, junte o alho e bata mais um pouco.
  3. Sem parar de bater, junte o azeite de oliva, o vinagre, o sal e o cominho.
  4. Coe e sirva com o ovo cozido picado e mais um chorinho de azeite.
Vi muitas receitas de salmorejo com pão amolecido, que também deve ficar bom. Mas gostei da mistura com maçã que vi aqui.

Gazpacho de Melocotón

November 12th, 2009

Lembrete para mim mesma: Se for beber aquela tacinha de vinho, morrendo de fome enquanto prepara a receita, não fotografe. E se for fotografar a receita, morrendo de fome, mesmo tendo bebido aquela tacinha de vinho, verifique luz e foco… pelo menos.

E com essa foto malacabada, deixo aqui a com pêssegos,  segunda colocada da enquete, que me foi gentilmente presenteada pelo leitor que atende pelo codinome de Anxiño, via este comentário.

  • Cubra o fundo de uma panela com azeite de oliva e ali refogue em fogo baixo uma chalota e dois alhos porós (parte branca) com uma pitada de sal até amolecer.
  • Adicione 1 litro de caldo natural de galinha e deixe ferver.
  • Junte 4 pêssegos bem maduros (dos amarelos) sem casca e em cubos e cozinhe por 10 minutos.
  • Bata tudo muito bem com o mixer de mão (com cuidado, pois poderá espirrar) ou liquidificador. Coe e leve à geladeira para esfriar.
  • Enquanto a sopinha esfria, faça as virutas de jamón: numa frigideira antiaderente, leve fatias de presunto cru em fogo baixo até ficarem sequinhas e crocantes. Reserve.
  • Para servir, arrume nos copinhos o gazpacho, polvilhe uma pitadinha de nada de noz moscada ralada na hora, decore com as virutas de jamón e uma folhinha de menta.

Eu gostei dela assim, um pouco mais pastosa… mas se quiser uma consistência mais leve, pode afiná-la com água gelada até dar o ponto desejado.